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segunda-feira, 27 de abril de 2015

GÊNER(ALIDADES) - Professor Camilo Seleguini

Por: Camilo Seleguini, professor, oficiante religioso da comunidade judaica de São Paulo.

Quando uma mulher descobre que está grávida, a primeira coisa que faz, depois de escolher prováveis nomes masculinos ou femininos é comprar o enxoval, que rigorosamente é escolhido entre “azul”, para menino e “rosa” para menina. O problema é quando no terceiro ou quarto mês da gestação ainda não conseguem identificar o sexo do bebê (na minha casa ouvi muito isso), escolhem uma cor neutra, como “amarelo”. Depois de identificado o sexo do bebê, ufa, as coisas voltam ao normal e a coloração pré-estabelecida pode agora ser usada com toda certeza. 

Vivemos num sistema que visa diferenciar as crianças por seu modo de vestir e de se comportar. Algumas pessoas, levando um ar de modernidade, decidem que seus filhos poderão brincar do que quiser, com quais brinquedos quiser, se é boneca, se é carrinho, tanto faz, o importante é ter seu filho ou filha felizes. Infelizmente uma parcela mínima da sociedade pensa assim. Educamos nossas crianças para uma das mais posturas mais feias que existe: o machismo! E como! Nossos meninos aprendem a brincar com ferramentas, carros de polícia, bombeiros, bois, cavalos e dinossauros (?!) enquanto nossas meninas ganham bonecas, para lembrar que um dia deverá saber “manusear” uma criança, ganham casinhas repletas de panelinhas, vassourinhas, tortinhas, para mais uma vez lembrar que seu lugar sempre será em casa, enquanto seu marido será um policial ou terá uma profissão respeitada e que certamente manterá a casa e quando chegar, correrá abrir uma cerveja e ir direto assistir o jogo de futebol na TV. Que bonito não é? Parece tudo normal, ou seja, isso já é praticado a milênios! Até que, alguém sai desse sistema e meninos agora querem brincar de boneca e meninas, de pipa (ou papagaio, dependendo da região). A coisa agora muda, pois “não vou aceitar um filho mulherzinha”, “o que os outros vão pensar da nossa família defeituosa”, “você vai para o inferno se vestir ou brincar como menina” (vale o mesmo para a menina que descobre que prefere bola a boneca). 

Somos taxados exclusivamente por uma sociedade que não aceita que homens usem saias, sendo que na maior parte da história da humanidade o homem usou “saias”, ainda no Oriente Médio, árabes usam vestidos. As mulheres de fato só conseguiram o direito de usarem calças em 1970, como moda, já que para o trabalho nas fábricas da Inglaterra elas usavam as calças dos maridos (mesmo que em pinturas em vasos gregos, aparecem já mulheres de calça).

Eu, como professor e homossexual, certa vez fui dar aula de camiseta rosa e um aluno que também estava com camiseta rosa, brincou comigo falando que eu era gay porque estava de rosa. Quando o questionei, já havia me assumido homossexual na escola, como faço sempre, porque ele também vestia rosa, ele me disse que era salmão. 

Há um ar de mudança nesses padrões de vestimenta e comportamento, tanto é que na Universidade São Judas de São Paulo, ano passado, um aluno foi de saia para a aula e foi rechaçado e no outro dia, seus amigos conseguiram convencer que vários homens também fossem de saia para a aula como sinal de protesto. O vídeo “The Light”, propositalmente criado com esse nome de “A Luz”, que, por mais que o pai do garotinho que usava vestido não aceitasse a postura de seu filho, atacando sua esposa e o próprio garoto, acaba entendendo, concordando e rompendo esse paradigma imposto pela sociedade conservadora, e também vai à escola com um vestido. Fico imaginando a primeira vez que uma mulher apareceu de calça, o choque que a sociedade recebeu. Tudo é uma questão de costume e desconstrução daquilo que já sabemos. Parafraseando Marx, no Manifesto Comunista sobre “Tudo o que é sólido, desmancha pelo ar”. Tudo que está solidificado um dia cairá, costumes, ideologias, metas e sistemas.

Que possamos dar liberdade em aceitar o diferente, pois um dia o que fazemos hoje já foi diferente. Respeitar o diferente é respeitar pessoas que pensam e agem diferente. Não é a cor de sua roupa, seu modo de vestir ou até mesmo de brincar, falar, andar que definem o que é uma pessoa e seu caráter.



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